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Nondik gertu: Ponte de São Simão, Leiria (Portugal)

Saímos do carro e, de mochila já nas costas, dirigimo-nos naturalmente ao imponente miradouro erguido no cimo das fragas. Recordo, num misto de nostalgia e prazer, a primeira vez que aqui cheguei e me dirigi a este ponto. Despido ainda das modernas estruturas e sem a segurança atual, o local deixou-me em êxtase perante a magnificência da natureza. Era Primavera depois de chuvas abundantes. Altos eucaliptos e alguns pinheiros cobriam a encosta limitando a visão das formações rochosas. Lá em baixo rugia a água e o som subia até cá acima.  Descemos e impressionou-nos a fúria da corrente castigando as rochas passando pelo estreito canhão e galgando penedos e margens da ribeira.
Hoje a construção deste imponente passadiço escarpa abaixo (inaugurado a 3 de Julho de 2020) e a recuperação do coberto arbóreo com espécies autóctones de copa baixa, onde já abundam os medronheiros, proporciona uma espectacularidade soberba e indiciam um especial cuidado do projetista. Além disso democratizou o local. Custou a obra 400.000€. Não sendo muito adepto das estruturas artificiais na natureza, acho, no entanto, que em certos lugares, são uma mais-valia. Antes tínhamos um deslumbrante cenário natural onde apenas alguns destemidos podiam usufruir de tanta beleza. Hoje podemos usufruir todos... bem, todos... todos
não, porque a acessibilidade é apenas para aqueles que são sãozinhos das pernas.
Descemos os passadiços e atravessámos a estrada que leva à praia fluvial. Com cuidado vamos descendo por um bonito e acidentado carreiro. As fragas também vão por aqui estando presentes. Além da Ribeira fica aqui em baixo. Passámos de raspão e já seguimos pela linda vereda, sombreada por castanheiros, sobreiros e medronheiros, levando-nos, embalados, para a Ribeira de Alge.
Vamos seguindo os meandros da Ribeira pensando o quão bem-aventurados somos por poder usufruir desta beleza. A nosso lado a água da ribeira canta, beijando pedras roliças que preenchem o leito. Um verdelhão canta um hino à natureza nos ramos da bétula que nos envolve no abraço da sua sombra. Uma alvéola (ou labandeira) chega esvoaçando, pousa num penedo que nasce da água, tremelica a cauda e parte rápida. Os fetos reais embelezam as margens. Que paz!...
Agora a ribeira sucalca e a água, espumando, bate reclamante nas pedras. São os sons da ribeira que compõem uma sinfonia deliciosa.
Abandonamos a margem subindo entre loureiros e castanheiros.
Voltamos a descer por um carreiro que nos pede cuidado. Um odor bem conhecido chega-me trazido pelo vento: é de flores de sabugueiro mas não vejo nenhum por perto.
Caminhamos agora por uma vereda que me parece ter sido uma levada. Levada ou caminho de moleiros não importa, importante é a beleza deste muro centenário com pedras de verde musgadas que lhe dão um aspeto bucólico.
Recordo-me agora ter lido que o povo do lugar de Além Ribeira ainda mói cereal em azenhas. Agora já é tarde. Na próxima tentarei não passar sem tentar ir ver para recordar velhos tempos em que o fiz também.
Atravessamos a ribeira pela Ponte de Brás Curado. Quem terá sido este senhor que mereceu dar nome a uma ponte?... Do outro lado um lugar florido e colorido.
Subimos em direção à Saonda. A Casa Velha tornou-se em "Brás Curado Center" - é chiq. No entanto a obra feita aqui neste grande penedo da Saonda é interessante ainda que não me pareça que os catos aqui plantados, em terra de laurissilva, seja grande ideia. Entramos e, pelo carreiro entre eucaliptos, vamos até ao penedo. Apreciamos o local e seguimos subindo por carreiro pouco trilhado até ao caminho da Saonda. Breve e curto foi o caminhar neste caminho que deu lugar a outra vereda por onde descemos agora, de novo, em direção à Ribeira.
As ruínas, mesmo muito arruinadas, de outra azenha, onde apenas a alba mó encostada ao muro desmoronado testemunha o passado moageiro da estrutura, leva-nos uma vez mais a pensar no desprezo a que tem sido votado o património rural molinológico.
Arquivamos os pensamentos quando observamos a levada vazia e a entulhada represa que a alimentava. O protesto da água gera barulho suficiente para clarear a mente.
Subimos já nas margens da Ribeira do Fato, que corta a Serra da Aguda, entre loureiro, sobreiros, sabugueiros, fetos reais e fetos fêmea. Pequenas cascatas animam o leito da ribeira, a vista e o espírito do caminhante.
Passamos de uma para outra margem ora por ponte de madeira ora por madeira a servir de ponte.
Deixamos a ribeira subindo por uma azinhaga que guarda memória das gentes que desciam para o Vale da Abundância ou para as suas azenhas. O cantar da ribeira vai-se diluindo e volta o chilreio dos pássaros.
Entramos no Casal de São Simão. As casas de xisto recuperadas com varandas antigas floridas levam-nos a ignorar que apenas se vive em muitas delas ao fim de semana.
Paramos o GPS e vamos almoçar no restaurante da aldeia. Os pratos (quase) típicos e um vinho de vinhas velhas saciaram-nos o estômago e apaziguaram a alma.
GPS reativado, corda nos sapatos e cá vamos ladeira acima em direção ao monte de São Simão. A ermida dedicada a São Simão e São Judas Tadeu diz-se ter sido construída no século XV pelo Prior da Aguda, criado do conde D. Fernando. O acesso ao interior é-nos vedado pela porta cerrada. Saímos do alpendre pelo vão gótico da fachada sul. 1675 gravado na pedra de fecho do arco datará o quê?...
Subimos ao topo do monte por um novo passadiço que nos leva a um belíssimo miradouro. Sustemos a respiração porque a paisagem é arte divina. O silêncio é apenas cortado pelo pio de uma ave de rapina que protesta contra a invasão destes penhascos, pertença sua por direito natural.
Faço tentativa para descer por trilho dessimulado entre mato e rochedos mas o receio justificado da minha companheira, levam-me a desistir e voltar ao Casal para descer pelo "Caminho de Outrora", atravessando a mata de sobreiros e chegando à praia fluvial das fragas. Estes penhascos, de beleza agreste feitos, rompidos pela força de uma vontade sobrenatural, embebedam os sentidos e deixam a alma em êxtase. Sacudimos o turpor e ganhamos forças para subir estrada e passadiços até ao alto onde nos espera o carro naturalmente alheio a tanta beleza.
Cada dia me sinto mais bem-aventurado. Bem hajas meu Deus!
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Mirando desde o miradouro

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Descendo os passadiços

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Passadiços em contra-luz e fragas iluminadas

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O passadiço permite uma visão mais próximo das escarpas

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O Casal de São Simão sobre uma encosta de carvalhos

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Na vereda para a ribeira

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Apreciando a beleza do caminho

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Embalados pelo murmurar da água

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Deslizando na mansidão do leito agora plano

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Agora rumorejando sobre e por entre pedras

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Erguendo múltiplos braços ao alto

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Fetos reais (osmunda regalis) povoam as margens da ribeira

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Penedo na ribeira

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Descer mas com cuidado

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Correndo calma entre margens de vegetação luxuriante

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Indo pela sombra

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Um muro de pedra solta enfeitando de musgo a vereda

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Uma típica casa ribeirinha em reabilitação (terá sido uma azenha?)

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A velha azenha jaz em ruínas junto à ponte de Brás Curado

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Flores, erva cidreira e casas coloridas

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Uma zona para usufruir do rio e da natureza

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O sabugueiro de que já me chegará o odor

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Entrada franqueado para um recanto de meditação

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Eucaliptos antes do penedo

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Catos e beleza nos penedos da Saonda

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Um recanto de sossego e meditação

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Humanização integrada na natureza

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Uma nascente armada à antiga

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Ruínas de antiga azenha

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O açude que alimentava a levada da azenha

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O coberto da ribeira

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Abundância de fetos reais

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Foi-se a ponte ficou um tronco cortado para a substituir

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Árvores caídas

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Na ribeira do Fato

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Pequenas quedas de água na ribeira do Fato

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Atravessando a ribeira

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A antiga vereda acima da ribeira do Fato

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Um muro de pedra solta protege a vereda

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Chegando ao Casal de São Simão

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Subindo pelo casal acima

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Casas típicas do Casal de São Simão

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Ermida de São Simão

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No passadiço para o miradouro do monte de São Simão

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Alternando entre terra e madeira e paisagens de sonho

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Um miradouro que surpreende

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De onde se apreciam paisagens deslumbrantes

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As varandas de madeira

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No início do caminho de outrora a última casa do Casal

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Chegando às praias das Fragas

2 iritzi

  • jaime costa 1 24 may. 2021

    Ibilbide hau egin dut  egiaztatua  Ikusi gehiago

    Paisagens lindas com agua sempre por perto.

  • argazkia j.jesus

    j.jesus 24 may. 2021

    Jaime, obrigado pelo comentário e avaliação.

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